{"id":350,"date":"2019-11-20T07:00:50","date_gmt":"2019-11-20T10:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/paginas.uepa.br\/nas\/?p=350"},"modified":"2019-11-20T10:21:06","modified_gmt":"2019-11-20T13:21:06","slug":"350","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nas.uepa.br\/?p=350","title":{"rendered":"Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">20 de novembro &#8211; Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma data de&nbsp;<strong>celebra\u00e7\u00e3o e de conscientiza\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;sobre a for\u00e7a, a resist\u00eancia e o sofrimento que a popula\u00e7\u00e3o negra viveu no Brasil desde a&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/colonizacao-brasil.htm\">coloniza\u00e7\u00e3o<\/a>. Durante o&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/brasil-colonia.htm\">per\u00edodo colonial<\/a>, aproximadamente 4,6 milh\u00f5es de africanos foram trazidos para o Brasil para servirem na condi\u00e7\u00e3o de escravos, trabalhando primeiramente em lavouras de&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/economia-acucareira.htm\">cana-de-a\u00e7\u00facar<\/a>&nbsp;e no servi\u00e7o dom\u00e9stico, e posteriormente na&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/economia-mineradora.htm\">minera\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;e em outras lavouras.<\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de vida dos africanos e dos negros escravizados nascidos no Brasil era extremamente prec\u00e1ria. Al\u00e9m de serem submetidos ao trabalho for\u00e7ado<strong>, os escravos eram submetidos a um tratamento degradante e humilhante<\/strong>, n\u00e3o tendo direito a tratamento m\u00e9dico, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a qualquer tipo de assist\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como surgiu o Dia da Consci\u00eancia Negra?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do tratamento degradante conferido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra escravizada no Brasil entre 1536 e 1888 (este \u00faltimo ano data a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos via Lei \u00c1urea),&nbsp;<strong>as heran\u00e7as da&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/escravidao-no-brasil.htm\"><strong>escravid\u00e3o<\/strong><\/a><strong>&nbsp;permaneceram<\/strong>. Quando os escravos foram libertos, em&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/datas-comemorativas\/abolicao-escravatura-1.htm\">13 de maio de 1888<\/a>, por meio da promulga\u00e7\u00e3o da Lei \u00c1urea, ap\u00f3s intensa luta de ativistas abolicionistas do per\u00edodo imperial do Brasil, como o jornalista e advogado negro Lu\u00eds Gama,&nbsp;<strong>a popula\u00e7\u00e3o negra permaneceu sem qualquer tipo de assist\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos escravos rec\u00e9m libertos permaneceram nas fazendas onde eram cativos por n\u00e3o terem para onde ir. A grande maioria dessa popula\u00e7\u00e3o era analfabeta e n\u00e3o sabia outro of\u00edcio, al\u00e9m do trabalho intenso e pesado das lavouras. No Rio de Janeiro, muitos escravos foram procurar as regi\u00f5es dif\u00edceis de erguer constru\u00e7\u00f5es na cidade (os morros) para constru\u00edrem suas moradias, configurando as primeiras favelas.&nbsp;<strong>A situa\u00e7\u00e3o deixada para a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil foi extremamente prec\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marginalizada, sem assist\u00eancia e com uma vida prec\u00e1ria,&nbsp;<strong>a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil continuou a enfrentar muita dificuldade<\/strong>. Os negros eram discriminados socialmente, n\u00e3o tinham acesso aos mesmos direitos que os brancos e foram perseguidos. Diante dessa realidade, muitas comunidades negras (algumas inclusive remanescentes de&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/quilombos.htm\">quilombos<\/a>), al\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es sociais formadas por pessoas negras nas cidades, passaram a lutar pela igualdade racial e pela inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na comunidade sem restri\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, ativistas ligados a um grupo de quilombolas situado no Rio Grande do Sul passaram a&nbsp;<strong>reivindicar a celebra\u00e7\u00e3o do Dia da Consci\u00eancia Negra no Brasil<\/strong>&nbsp;na data de 20 de novembro. Em 1978, surgiu o Movimento Negro Unificado no Pa\u00eds, que passou a&nbsp;<strong>promover uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es para pensar a consci\u00eancia negra e lutar contra o&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/quilombos.htm\"><strong>racismo<\/strong><\/a><strong>&nbsp;no Brasil<\/strong>. Gra\u00e7as ao movimento, o Dia da Consci\u00eancia Negra tornou-se uma data lembrada todo ano como representativa da luta da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que escolheram o dia 20 de novembro?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A escolha do dia 20 de novembro n\u00e3o foi aleat\u00f3ria, foi feita por ser a&nbsp;<strong>data de morte de Zumbi dos Palmares<\/strong>, no dia 20 de novembro de 1695. Zumbi foi o maior l\u00edder do Quilombo dos Palmares<\/p>\n\n\n\n<p> Os quilombos eram comunidades formadas por negros escravizados que fugiam da tirania de seus senhores e escondiam-se em lugares de dif\u00edcil acesso no meio das matas. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/quilombo-dos-palmares.htm\">Quilombo dos Palmares<\/a>&nbsp;foi o maior e mais duradouro dos quilombos registrados pelos estudos historiogr\u00e1ficos. Estima-se que a sua forma\u00e7\u00e3o tenha durado cerca de 100 anos e abrigado entre 20 mil e 30 mil habitantes. A localiza\u00e7\u00e3o territorial do Quilombo dos Palmares era na regi\u00e3o da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Zumbi foi um grande l\u00edder e representante da resist\u00eancia negra em sua \u00e9poca<\/strong>. Sua biografia aponta que ele nasceu em Palmares, por\u00e9m foi capturado e tomado como escravo aos sete anos de idade. Ficando sob os cuidados de um padre&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/jesuitas.htm\">jesu\u00edta<\/a>, recebeu um nome cat\u00f3lico, Francisco, e aprendeu portugu\u00eas e latim. Aos 15 anos, Zumbi fugiu novamente para o Quilombo dos Palmares,&nbsp;<strong>despontando-se como uma lideran\u00e7a por l\u00e1<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram muitas as batalhas que os quilombolas de Palmares lutaram contra o ex\u00e9rcito portugu\u00eas no Brasil e contra expedi\u00e7\u00f5es promovidas por capit\u00e3es e por fazendeiros colonos. Zumbi despontou-se como uma grande lideran\u00e7a justamente por ser um&nbsp;<strong>grande estrategista militar<\/strong>&nbsp;e representante de&nbsp;<strong>forte resist\u00eancia contra os colonos escravocratas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora pouco conhecida, outra figura importante dentro do Quilombo de Palmares foi&nbsp;<strong>Dandara de Palmares<\/strong>. Apesar de poucas fontes historiogr\u00e1ficas sobre a figura de Dandara, sabe-se que ela foi&nbsp;<strong>uma grande guerreira resistente<\/strong>. Fontes historiogr\u00e1ficas apontam que ela foi esposa de Zumbi e teve com o l\u00edder quilombola tr\u00eas filhos. A morte de Dandara ocorreu em 1694, quando foi capturada. Para fugir da escravid\u00e3o, a guerreira de Palmares cometeu suic\u00eddio jogando-se de um desfiladeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1694, tropas organizadas pela&nbsp;<strong>expedi\u00e7\u00e3o do bandeirante Domingos Jorge Velho<\/strong>&nbsp;conseguiram \u00eaxito, capturando v\u00e1rios quilombolas. Na expedi\u00e7\u00e3o, os bandeirantes utilizaram inclusive artilharia pesada, como canh\u00f5es de guerra. Dessa maneira, a bandeira&nbsp;<strong>capturou o quilombola Antonio Soares<\/strong>&nbsp;e prometeu-o a liberdade em troca da revela\u00e7\u00e3o do esconderijo do l\u00edder Zumbi.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonio Soares cedeu e traiu o l\u00edder de Palmares, revelando o seu esconderijo. Em novembro de&nbsp;<strong>1695<\/strong>, as tropas de Domingos Jorge Velho&nbsp;<strong>capturaram Zumbi e mataram-no<\/strong>, degolando a sua cabe\u00e7a e expondo-a em pra\u00e7a p\u00fablica. Nesse evento, os bandeirantes dominaram os quilombolas, desfazendo o quilombo. Os habitantes que n\u00e3o foram mortos ou capturados tiveram que fugir do local.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o dia 20 de novembro foi escolhido para representar o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra por conta da import\u00e2ncia da figura de Zumbi dos Palmares&nbsp;<strong>na luta e resist\u00eancia contra a escravid\u00e3o de povos de origem africana<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Atividades para comemorar o dia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Se por um lado temos motivos para comemorar o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, por outro, temos motivos para&nbsp;<strong>discutir o racismo e promover a ideia de integra\u00e7\u00e3o igual da popula\u00e7\u00e3o negra na sociedade<\/strong>, lutando contra a exclus\u00e3o e a&nbsp;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/geografia\/desigualdade-social.htm\">desigualdade social<\/a>. Nesse sentido, as a\u00e7\u00f5es promovidas no dia 20 de novembro n\u00e3o devem ser de comemora\u00e7\u00e3o, mas de conscientiza\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando como exemplo os dados sobre renda e desigualdade, vemos que o Brasil ainda permanece sob a influ\u00eancia da&nbsp;<strong>heran\u00e7a da escravid\u00e3o<\/strong>&nbsp;quanto ao tema inclus\u00e3o social e igualdade social. A maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira, quase 54% dos habitantes, autodeclara-se negra (pretos ou pardos), segundo o IBGE. No entanto, dados levantados pela pesquisa Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), promovida pelo IBGE em 2017, apontam que a renda m\u00e9dia de pretos e pardos corresponde a R$ 1570 e R$ 1606, respectivamente, enquanto a renda m\u00e9dia de brancos \u00e9 de R$ 2814. Dados da PNAD de 2015 tamb\u00e9m apontaram que a porcentagem de negros e pardos entre os 1% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o era de 17,8%, enquanto o grupo dos 10% mais pobres possu\u00eda um total de 75% de negros e pardos<strong>|1|<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 evidente desigualdade social e exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra, somadas ao racismo, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra deve ocorrer por meio de atividades de&nbsp;<strong>reconhecimento da cultura negra como parte integrante da cultura brasileira<\/strong>&nbsp;e por meio de atividades de discuss\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o problema do racismo e da exclus\u00e3o dos negros na sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Dispon\u00edvel em:  <br><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/datas-comemorativas\/dia-nacional-consciencia-negra.htm\">https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/datas-comemorativas\/dia-nacional-consciencia-negra.htm<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20 de novembro &#8211; 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